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Jojo Todynho: "Sinto falta de curtir meus amigos com uma cerveja gelada"

Flávia Martinelli

31/03/2018 05h00

Despachada, autoconfiante, sincerona, sutiã 58 e biquini "só se for tamanho P, tá meu bem?". Jojo Todynho está mandando seus "tiros" sem parar. Negra, periférica, fora dos padrões de beleza midiática, de cabelo com lace, aplique, como veio ao mundo ou no humor do dia, a cantora do hit "Que Tiro Foi Esse?" é alvo de comentários preconceituosos nas redes sociais desde sempre. Até antes de explodir em 2017, quando o Brasil se jogou aos seus pés. "Sempre dormi pouco e trabalhei muito, minha vida sempre foi de muita ralação. Mas o amor tem que começar dentro da gente, se nosso amor próprio não estiver em alta, ninguém vai te colocar lá!", conta ela em entrevista ao blog MULHERIAS.

(Foto originalmente publicada na revista Vogue de novembro e reproduzida por Jojo Todynho em seu Instagram. Créditos: Rafael Pavarotti, com edição de Pedro Sales e beleza de Camila de Alexandre)

 

Nascida e criada em Bangu, hoje a celebridade mora na Lapa, um bairro boêmio do Rio de Janeiro, mas Jojo Maronttinni já era sucesso antes de participar do clipe "Vai Malandra" de Anitta. Os vídeos bem humorados online de Jojo Todynho sobre relacionamentos, novelas e sua rotina já tinham centenas de milhares de seguidores nas redes sociais.

Ninguém tem preconceito. Até uma Jojo Todynho aparecer

O fato é que mesmo com a agenda lotada de shows e participações em comerciais de TV, novelas de horário nobre e até ensaio fotográfico pra revista de moda Vogue Brasil, o baque foi grande. No país em que ninguém assume que é preconceituoso, Jojo veio para dar um tiro certeiro na hipocrisia nacional. "Não tô nem aí pra recalque."

Confira a entrevista com Jojo e assista o vídeo que o Blog MULHERIAS fez em homenagem aos seus grandes momentos.

MULHERIAS: Não há como mencionar Jojo sem falar de autoestima. Mas como construir essa fortaleza? Que dica dá às mulheres?
JOJO: Meu recado é que elas sejam o que querem ser. Autoestima é tudo. Se amem porque se a gente não fizer isso por nós ninguém vai fazer. Ser feliz é o que vale nessa vida! O amor tem que começar dentro da gente, se nosso amor próprio não estiver em alta, ninguém vai te colocar lá!

M: Fale da sua representatividade no Brasil. Quem você representa? Que mensagem você quer passar? Que tiro é esse que você está mandando?
JOJO: Eu represento eu mesma e dou a maior força pra que cada um represente a si mesmo, suas escolhas, seus padrões, seus sonhos e tudo aquilo que te faz feliz. Represento a autoestima que todo brasileiro deve ter, seja homem, mulher, gay e por aí vai…

"Vim para quebrar padrões e estou fazendo o meu papel. Só te machuca aquilo que você permite"

 

M: Com seu sucesso veio também uma avalanche de comentários preconceituosos, de gente racista, recalcada, gordofóbica e moralista. Qual sua opinião sobre a raiva de toda essa gente?
JOJO: Eu não estou nem aí pra recalque, criticas ou sobre o que falam de mim. Vim para quebrar padrões e estou fazendo o meu papel. Só te machuca aquilo que você permite, canso de falar isso. Se você cuidar dos teus sentimentos nada te atinge.

M: Que mulheres você admira? Por qual motivo? Em uma entrevista você comentou que a maioria das críticas a você vêm de mulheres e que as mulheres não se unem.
JOJO: Eu admiro a mulher que trabalha, que é mãe, esposa, que enfrenta todos tipos de dificuldade por ela e pela família mas que não desiste nunca de ser feliz! Aquela mulher que não se encaixa em padrões mas que define o seu próprio padrão sem se importar com julgamentos e que aprendeu a se amar antes de qualquer um tentar amá-la. É essa é a mulher que eu admiro.

M: Como é sua rotina de celebridade?
JOJO: Não tenho rotina de celebridade, minha rotina é de ralação e muito trabalho. Tenho dormido pouco e trabalhado muito. Sempre encarei o trabalho numa boa, com bom humor e gratidão, então pra mim vai ser sempre assim.

M: Você fez de tudo antes de virar celebridade: foi camelô, cuidadora de idosos, telefonista…  O que sua vivência do passado trouxe para a vida de famosa?
JOJO: A experiência me ensinou que nada vem de graça, que a gente tem que trabalhar muito e precisa ter os pés no chão! E também saber que nessa vida ninguém é melhor do que ninguém e que nunca devemos esquecer de onde viemos e quem realmente somos.

M: Que sonhos você realizou com o sucesso?
JOJO: Ainda não parei pra pensar nisso, mas acho que é ajudar a família.

M: Você sente falta de algo da sua vida antes da fama?
JOJO: Sinto falta de tempo pra curtir meus amigos com uma boa cerveja gelada.

(Vídeo: Stéfanni Mota, especial para o Blog MULHERIAS)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Flávia Martinelli é jornalista. Aqui, traz histórias de mulheres das periferias e vai compartilhar reportagens de jornalistas das quebradas que, como ela, sabem que alguns jardins têm mais flores.

Sobre o blog

Esse espaço de irmandade registra as maravilhosidades, os corres e as conquistas das mulheres das quebradas de São Paulo, do Brasil e do mundo. Porque periferia não é um bloco único nem tem a ver com geografia. Pelo contrário. Cada uma têm sua identidade e há quebradas nos centros de qualquer cidade. Periferia é um sentimento, é vivência diária contra a máquina da exclusão. Guerrilha. Resistência e arte. Economia solidária e make feita no busão. É inventar moda, remodelar os moldes, compartilhar saídas e entradas. Vamos reverenciar nossas guardiãs e apresentar as novas pontas de lança. O lacre aqui não é só gíria. Lacrar é batalha de todo dia. Bem-vinda ao MULHERIAS.