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Ela abriu brechó com 20 peças do armário e hoje fatura R$ 7 mil por mês

Flávia Martinelli

08/02/2019 05h00

O Brechó Tô de Volta é online e tem loja física. No total, Fabiana vende cerca de 250 peças

Com reportagem de Stéfanni Mota, especial para o blog MULHERIAS

Com a venda de 20 peças do próprio guarda-roupas, há dois anos, Fabiana Soares Santos de Souza, de 22 anos, conseguiu lucrar o suficiente para investir R$ 1 mil em um brechó. O "Tô de Volta" começou online, depois virou loja física e o negócio hoje rende cerca de R$ 7 mil  por mês. "Sempre gostei de encontrar tesouros no que é considerado lixo", conta a empresária de Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo.

Ela conta que com o investimento inicial bateu pernas em bazares para encontrar peças únicas para revender. "Teoricamente, com R$ 20 você consegue montar a sua loja na internet pois é possível encontrar roupas por R$ 3. Com criatividade e cuidado, dá para transformar uma jaqueta jeans desvalorizada em uma roupa descolada que pode ser vendida a R$ 80".

Com roupas vintage ou básicas para o dia a dia, o brechó é a única fonte de renda da técnica em vestuário e moda. A ideia surgiu da necessidade de pagar as contas. Fabiana se viu desempregada e decidiu juntar o gosto pela moda com sua habilidade de vendas. Sua conta no Instagram já conta com mais de 43 mil pessoas, que acompanham diariamente as novidades da loja. O público principal são mulheres de diferentes faixas etárias e as vendas de produtos retrô e vintage quebram o preconceito com artigos usados.

Sem a necessidade de altos investimentos, desde o começo o negócio foi  sucesso. Tanto que hoje a mãe e a tia trabalham com Fabiana. As tarefas são divididas entre as três: mãe e tia são responsáveis por reabastecer o estoque, comprando peças em diferentes bazares da cidade e também lavam as peças para deixar tudo pronto para a venda. Fabiana, por sua vez, negocia com os clientes, gerencia as redes sociais e administra a loja. Para se aperfeiçoar, hoje estuda administração de empresas.

A loja online oferece opções de entrega via correios ou pessoalmente em estações de metrô em São Paulo. Na logística da empresa, entra em cena mais uma familiar: é a irmã mais nova de Fabiana quem lucra R$ 5 com cada entrega, taxa paga pelos próprios clientes. "Quem compra online ainda pode optar pelo nosso serviço de 'sacolinha', deixando paga uma peça e adiando a entrega por até quatro semanas para comprar mais roupas neste tempo e ter tudo entregue por um frete único", explica Fabiana.

Há seis meses veio a possibilidade de abrir também uma loja física. Localizada na periferia de Ferraz de Vasconcelos, a loja do Tô de Volta foi reformada e equipada para atender o público como "uma loja como outra qualquer". O investimento no ponto comercial foi de R$ 10 mil. "Adquirimos araras e manequins, ar-condicionado, bebedouro. Queremos tudo o que ofereça conforto ao cliente na hora de comprar." O local é alugado por R$ 700 ao mês, com contas de água e luz inclusas. Em cinco meses, a loja chegou aos R$ 2500 de lucro líquido.

Fabiana lembra que o perfil dos clientes muda em cada caso: "quem compra online procura o vintage, quem vai à loja procura o básico do dia a dia". Dessa maneira, a dona consegue fazer a seleção do que vende melhor em cada ambiente. "Em Ferraz, tornamos fácil comprar. A cliente não precisa garimpar demais para encontrar a peça ideal como acontece em brechós de igreja, por exemplo." Pelo Instagram, é essencial oferecer diferentes opções de entrega e pagamento online ou transferência bancária. Para Fabiana, o segredo do sucesso do brechó está na qualidade do serviço e produtos: "eu não vendo nada que eu mesma não usaria".

Segundo os últimos dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em 2015, 13,2 mil micro e pequenas empresas já se baseavam na venda de produtos de segunda mão. Para quem compra em brechó, a economia gira em cerca de 80% em comparação com outras lojas. Para mais informações para o montar o negócio, consulte o guia do Sebrae para venda de usados.

Cinco dicas para montar o seu brechó:

  1. Garimpe! Não tenha medo de bater perna em brechós baratos, você vai encontrar tesouros em peças única, com qualidade e precinhos (é sério, a Fabiana compra a maioria das peças por R$ 5!)
  1. Valorize a qualidade e apresentação! Tente não vender o que você mesma não usaria e rigorosamente lavado!
  1. Popularize sua loja online com promoções. Olha só o exemplo de uma promoção de peça customizada por um artista parceiro do Tô de Volta:
  1. Ainda no online, não basta só colocar o tamanho da roupa! Para aumentar o potencial de venda de cada peça e facilitar a negociação indique o tecido, as medidas da peça e publique uma foto do caimento.

 

  1. Em sua loja física, mesmo que seja na garagem pense no conforto do cliente e exiba as roupas sempre em araras e cabides, peças dobradas perdem potencial de venda e valor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Flávia Martinelli é jornalista. Aqui, traz histórias de mulheres das periferias e vai compartilhar reportagens de jornalistas das quebradas que, como ela, sabem que alguns jardins têm mais flores.

Sobre o blog

Esse espaço de irmandade registra as maravilhosidades, os corres e as conquistas das mulheres das quebradas de São Paulo, do Brasil e do mundo. Porque periferia não é um bloco único nem tem a ver com geografia. Pelo contrário. Cada uma têm sua identidade e há quebradas nos centros de qualquer cidade. Periferia é um sentimento, é vivência diária contra a máquina da exclusão. Guerrilha. Resistência e arte. Economia solidária e make feita no busão. É inventar moda, remodelar os moldes, compartilhar saídas e entradas. Vamos reverenciar nossas guardiãs e apresentar as novas pontas de lança. O lacre aqui não é só gíria. Lacrar é batalha de todo dia. Bem-vinda ao MULHERIAS.

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