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Férias baratas? Mulheres viajantes indicam as montanhas de Minas no verão

Flávia Martinelli

10/01/2020 04h00

Por Ariane Silva, especial para o blog MULHERIAS 

Ok, o litoral brasileiro é lindo. Mas a superlotação e a alta de preços desanimam quem busca opção mais em conta sem abrir mão do conforto. As viajantes mineiras dão a dica: o Estado tem diversas opções de lazer e turismo e é possível conhecer cidades históricas, fazer trilhas e ir a cachoeiras, mesmo sem carro, e gastando pouco. Se na bagagem você ainda incluir planejamento e simpatia para fazer amizades no percurso, bem pouco mesmo.

A ceramista Isabella Haru, de 27 anos, é mineira de coração. Nascida em Brasília, ela se mudou pra São João del-Rei em 2015 para estudar, e começou a explorar Minas pelas cidades mais próximas. Hoje já conhece, além da capital, Carrancas, Tiradentes e Rio Acima,  quatro roteiros clássicos incríveis, e costuma ir com frequência a trilhas em cidades próximas de São João del-Rei de bicicleta.

 

Passeio de Maria Fumaça em Rio Acima, que possui dezenas de cachoeiras. Durante o percurso, os passageiros podem conhecer um pouco da história da cidade. Músicos se apresentam pelos vagões voluntariamente. (Foto: Acervo Secretaria do Turismo)

"A primeira coisa que faço é ler os blogs de viagem. Busco informações sobre feiras, artesanato, museus e festivais", conta. Ela também busca pessoas que já fizeram o roteiro ou moram próximo às atrações para ter uma noção melhor da dificuldade do percurso para cachoeiras, e avaliar se realmente é possível fazer o passeio sem carro.

"Vale sempre perguntar para mais de uma pessoa sobre a distância e nível de dificuldade do percurso." As trilhas e cachoeiras mais populares têm sempre um fluxo de pessoas indo e voltando, facilitando perguntar a direção, e são bem demarcadas, com indicações claras do caminho correto por meio de placas e outros sinais.

Isabella Haru recomenda visitar São João del-Rei, Carrancas, Tiradentes e Rio Acima. Ela pede dicas de passeios em barzinhos movimentados das cidades e sempre questiona o grau de dificuldade das trilhas para mais de uma pessoa (Foto: Acervo pessoal)

As cidadezinhas de Minas Gerais têm hospedagens para todos os bolsos. Desde opções de luxo, com spas, até hostels e áreas para camping com estrutura e segurança. Em hostels e camping também é possível cozinhar, economizando a grana de comer fora; o que pode pesar no orçamento em muitos dias de viagem.

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Carolina Garcia, 31 anos, foi um pouco mais longe. Com São João del-Rei, Tiradentes, Diamantina e Poços de Caldas na bagagem, ela contou com as secretarias de turismo dos municípios para se informar. Por meio dos órgãos municipais é possível conhecer os passeios, valores dos transportes e atrações, etc.

A viagem que mais a marcou foi para o município de Tiradentes, que fica na roda da Estrada Real, por onde as riquezas extraídas das minas eram transportados para o Rio de Janeiro na época do Brasil colônia e de lá para Portugal. "Eu e meu companheiro na época, fomos de carona de Belo Horizonte para São João Del Rei. Tem grupos de carona no facebook que são uma opção que sai mais barato do que transporte rodoviário", lembra Carolina, que explica que São João é uma cidade universitária e as pessoas estão acostumadas a dar caronas.

Carolina nas montanhas de MG: sempre tem um camping legal e baratinho, além de hospedagem em hostel com cachoeiras por perto! A estudante recomenda o passeio de bicicleta que liga a cidade de São João del-Rei a Tiradentes pela Estrada Real  (Foto: Acervo pessoal)

De São João para Tiradentes os ônibus são frequentes mas Carolina conta que o mais bacana é fazer a rota de bicicleta, que pode ser alugada. "Pessoas com pouco condicionamento físico fazem em mais ou menos 1h, e quem já é um pouco mais acostumada com bicicleta em até 20 minutos chega lá. Você passa pela Estrada Real, é super legal", diz Isabela. Andar de bicicleta tem a vantagem de permitir explorar a cidade de maneira mais livre, além de sair mais barato.

As mineiras dizem que o mês de janeiro é uma boa época para conhecer a região, mas para quem gosta de mais agito, em fevereiro tem carnaval com as tradicionais marchinhas. Foi nessa época que Carol foi para lá: "Fomos lá para curtir o carnaval que conta com bloquinhos de rua que ainda tocam músicas tradicionais. Alguns blocos também são de repúblicas de estudantes. A programação é bem extensa, bem animada e os blocos circulam pelas ruas da cidade".

As dicas dos locais, no entanto, não substituem pesquisa e planejamento para prevenir situações desconfortáveis. Carol passou por um aperto na viagem, mas a solidariedade de outros viajantes resolveu o problema: "Uma coisa ruim que aconteceu durante a viagem foi que não nos preparamos para as chuvas e em um dos dias a nossa barraca alagou. Mas o casal que conhecemos tinha uma lona e nos emprestou, o que ajudou bastante para proteger nosso acampamento no restante dos dias", conta.

Já Isabella, mesmo se planejando, teve problemas. Viajando num grupo de 4 pessoas, com 60 reais no total, elas decidiram "acampar selvagem" (termo usado por turistas que significa acampar por conta própria, fora das áreas reservadas para camping pago). "Lá não rolou de fazer isso porque como teve muito incêndio acidental. A galera ficou com medo da gente causar algum problema, e um cara hospedou a gente no quintal dele no final. Esse dia foi uma loucura, ainda por cima roubaram nosso macarrão e boa parte dos nossos itens de comida e a gente acabou tomando caldo de cenoura", relembra a roubada.

Tiradentes, que é famosa pela Mostra de Cinema, cuja 23ª edição acontece de 24 de janeiro a 1 de fevereiro deste ano, também tem festivais literários, de cinema, fotografia e gastronomia. São atrações o ano todo. Conheça outros roteiros e aproveite as férias em Minas!

Região metropolitana de Belo Horizonte

Para quem vem de fora do estado e chega na capital, próximo a Belo Horizonte há várias cidadezinhas que valem a pena visitar. Mesmo com o turismo prejudicado em Brumadinho após o rompimento da barragem da Vale do Rio Doce, o município de Rio Acima e também Macacos, distrito de São Sebastião das Águas Claras, são boas opções para quem deseja tranquilidade e contato com a natureza. A partir de BH é possível ir também para Inhotim, o famoso museu a céu aberto com paisagismo de Pedro Nehring. Trocando o ônibus turístico pela linha regular, que deixa lá perto, dá para chegar gastando cerca de R$ 10. Às quartas-feiras, a entrada é gratuita. As linhas de transporte metropolitano levam a todos esses passeios.

Inhotim: Arte e natureza com visitas gratuitas às quartas-feiras (Foto: Secretaria do Turismo)

Ouro Preto/Mariana

A estradinha que liga Belo Horizonte a Ouro Preto, que também é cidade universitária, é um percurso lindo, com caronas fáceis de achar pelo Facebook. Para conhecer as duas cidades, a dica é ir com um sapato confortável e andar bastante. De uma a outra existe um ônibus regular, com tarifa barata. Para gastar menos, fuja dos restaurantes próximos à igreja principal – existem outros muito mais baratos e de ótima qualidade, não muito longe dali. Dá para experimentar a autêntica culinária mineira a preço de PF, o bom e velho "prato feito", mas comendo à vontade.

Ouro Preto: fuja dos restaurantes centrais para apreciar a velha fartura mineira (Foto: Secretaria do Turismo)

Norte de Minas

A região é conhecida pelo artesanato em cerâmica, que tem como referência o Vale do Jequitinhonha e Mucuri. O turismo ali é uma fonte de renda importante para os moradores. As cidades turísticas são muitas, entre elas Turmalina, com a comunidade de artesãs de Campo Buriti, Serro, Capivari (que tem vista para a Serra do Espinhaço), Diamantina, conhecida pela bela arquitetura, Milho Verde, Serra do Cipó e Conceição do Mato Dentro, entre tantas outras.

 

Cachoeira do Tabuleiro em Conceição do Mato Dentro, é a mais alta de Minas Gerais e a terceira mais alta do Brasil, com 273 metros de queda livre, dentro do Parque Estadual Serra do Intendente. Um espetáculo! (Foto: Secretaria  municipal de turismo)

Sul de Minas

Mais próxima a São Paulo, a região abriga o Circuito das Águas, agregando 15 municípios em um roteiro turístico repleto de rios, lagos, fontes e cachoeiras. Há quem diga que as águas da região possuem poderes medicinais. A região também é famosa pela culinária e pelo artesanato, com cidades como Poços de Caldas, São Thomé das Letras, Monte Verde, Capitólio, Caxambu, Pouso Alegre, Passos, São Lourenço e Varginha. Carrancas, uma cidadezinha de 4 mil habitantes, é indicada para quem gosta de trilhas e cachoeiras. A cidade de Extrema também é famosa para as apreciadoras de cachaça, com diversos alambiques.

Aplicativos de graça

Cachoeiras Estrada Real: gratuito, disponível para Android e iOS (iPhone), é o aplicativo oficial da rota, e têm informações sobre 180 cachoeiras de 21 cidades da Estrada Real. É possível encontrar outros aplicativos, não-oficiais, com proposta parecida e que abrangem outras regiões, como Montes Claros e Serra do Cipó.

Aplicativo Estrada Real mapeia as cachoeiras da Serra do Cipó. Entre elas, a linda Cachoeira Grande (Foto: Secretaria do Turismo)

Trip Advisor: No famoso app de viagens há roteiros feitos por usuários e compartilhados gratuitamente, com informações sobre atrações, preços, e outras dicas. Entre elas, uma lista ótima com os 10 melhores pontos turísticos de São João del-Rei aqui.

Happy Cow: Para as vegetarianas e veganas, o app Happy Cow indica restaurantes e mercadinhos, mostra a distância e ensina como chegar. Também tem informações como horário de funcionamento, quais tipo de dieta atende. Usuários compartilham fotos de pratos e dos cardápios.

Grupos de Facebook

A plataforma abriga diversos grupos sobre hospedagem e dicas de viagem. Para se hospedar, além dos grupos gerais, tem o Couchsurfing das minas e o Couch Minas e Trans somando dezenas de milhares de integrantes.

Os grupos Viagem Econômica – Mochileiros e Viajantes e Mochileiras Pobres (Mesmo!!) também reúnem pessoas que buscam e compartilham informações sobre viagens para quem tem poucos recursos, mas muita vontade. No das Mochileiras Pobres, as mulheres compartilham dicas para viajar com crianças.

Também há grupos específicos de caronas, onde dá pra combinar com moradores e pessoas que fazem o trajeto com frequência, e olhar a reputação do motorista usando a ferramenta de busca do grupo. É só jogar o nome da cidade + "carona" na ferramenta de pesquisa que aparecem vários. Cidades universitárias como Ouro Preto e São João del Rei têm viagens diárias. Com sorte, você pode até descolar uma carona grátis.

Sobre o autor

Flávia Martinelli é jornalista. Aqui, traz histórias de mulheres das periferias e vai compartilhar reportagens de jornalistas das quebradas que, como ela, sabem que alguns jardins têm mais flores.

Sobre o blog

Esse espaço de irmandade registra as maravilhosidades, os corres e as conquistas das mulheres das quebradas de São Paulo, do Brasil e do mundo. Porque periferia não é um bloco único nem tem a ver com geografia. Pelo contrário. Cada uma têm sua identidade e há quebradas nos centros de qualquer cidade. Periferia é um sentimento, é vivência diária contra a máquina da exclusão. Guerrilha. Resistência e arte. Economia solidária e make feita no busão. É inventar moda, remodelar os moldes, compartilhar saídas e entradas. Vamos reverenciar nossas guardiãs e apresentar as novas pontas de lança. O lacre aqui não é só gíria. Lacrar é batalha de todo dia. Bem-vinda ao MULHERIAS.

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